... a gente nunca esquece!
Mas vamos deixar esse assunto para o final.
Agora: Budapeste.
No dia 27 visitei uma das melhores cidades que já fui em toda a minha vida. Marci precisava fazer uma prova, e como não sou besta, fui com ele e seu amigo Andris (guia turístico) para Budapeste.
Budapeste é uma cidade dividida em duas, separadas pelo rio Danúbio: Buda e Peste. Tem quase o triplo da idade do Brasil e consegue ser mais bem preservada do que muitos lugares novos que existem por lá.
A cidade é cheia de construções centenárias e até milenares, praças muito bonitas e arborizadas. Noventa por cento das pessoas são turistas, e oitenta e cinco por cento deles são asiáticos. É japa pra todo lado, não acreditava que estava na Hungria. Tiram foto até dos bueiros das ruas, incrível!
Chegamos à Budapeste às oito da manhã. Para isso, tive que acordar às cinco, muito cedo para os padrões húngaros. Ainda estava escuro e muito frio.
Pegamos um trem em Szolnok e depois de uma hora estávamos em Buda.
De primeira, não sabíamos onde ficava a escola em que Marci faria a prova, e nos perdemos. Quando nos achamos, deixamos ele no local e seguimos para explorar a cidade.
Andris já conhecia o lugar, então ele me levou para os melhores pontos turísticos. Começamos pelo palácio da cidade, um lugar com mais de quinhentos anos. O sol estava muito, muito forte. Novamente não fui preparado e agora o bronze é pior do que dois janeiros em Maragogi.
Algum tempo depois me encontrei com Aryane, a intercambiária de Petrolina que está em Budapeste.
Visitamos os lugares mais bonitos. Conhecemos igrejas, vimos a mão do primeiro rei da Hungria mumificada há mais de mil anos, fomos ao Parlamento, tiramos muitas fotos e caímos mortos em um restaurante
japonês para almoçar. Foi um dos piores restaurantes que já fui em minha vida.
Fechamos a tarde com um cafezinho no Starbucks e seguimos de volta para Szolnok.
Cansado e com os pés doendo de tanto caminhar, ainda saí à noite para o encerramento do festival “Tiszavirág”, uma celebração que acontece todos os anos na cidade para comemorar a chegada de uma espécie de inseto muito bonita, que “surge” dos dois rios que cortam a cidade e vivem apenas um dia.
No dia seguinte dormi mais do que devia e saí à noite para conhecer um pessoal da minha futura escola.
No domingo, o grande momento.
Eu fui alertado pela manhã que minha mãe hospedeira faria o almoço preferido da família. Fiquei animado, afinal gosto um pouco da comida daqui. Mas mal sabia eu o que me esperava.
A manhã se passou e fui convidado para o “ebéd” (almoço). Quando sentei à mesa havia uns bolinhos com cara de pão de queijo (porém meio sem gosto). Comecei a comer enquanto o prato principal não chegava.
Alguns momentos depois fui surpreendido com uma coisa preta um pouco esverdeada que caíra no meu prato.
Assim que comecei a comer, senti um gosto muito estranho. A comida tinha cor de carne podre.
Caí na besteira de perguntar o que era, e a palavra “fígado de galinha cozido” entrou nos meus ouvidos.
A partir daí o mau já estava feito. Tentei de todas as maneiras comer sem respirar, pensar em outra coisa, tudo! Mas não teve jeito, não consegui e acabei contraindo meu estômago e dando a famosa “engunhada”. Para o meu azar não tinha nenhuma bebida disponível e comecei a lacrimejar. Quando percebo que todos estão olhando pra mim, dou um sorrisinho e volto a enfiar a comida na boca. Desejei morrer naquele momento.
Daria tudo para comer naquele restaurante japonês de novo, topava até uma buchada.
Terminei o almoço e perdi a vontade de comer qualquer coisa naquele dia.
Enquanto vocês lêem, vou vivendo mais momentos como esses para postar daqui a algum tempo. Os dias estão passando muito rápido e mal tenho tempo para internet.
Para os que questionarem, já estou ganhando novas habilidades com o intercâmbio: virei expert em mímica e em esconder caretas na hora de algumas refeições.
Obrigado aos que acompanham,
Szia!