quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ao chegar na Hungria:

-Nunca rejeite uma Pálinka(caso contrário, você saberá o que é um húngaro ofendido)
-Visite Budapeste à noite;  (e se encante com a luzes dos monumentos)
-Nunca comente com um húngaro sobre o Tratado de Trianon(alguns ainda não estão conformados)
-Aprenda a comer macarrão de colher;
-Afirme com toda certeza que o húngaro é a língua mais difícil do mundo; (isso aumenta o ego deles)
-Coma com gosto tudo o que oferecerem;
-Nunca esqueça de se descalçar antes de entrar nas casas;
-Visite um famoso banho termal;
-Nunca compre mercadoria de rua; (NUNCA!)
-Prove o famoso Langos(aqueles vendidos como pastel de feira são os melhores)
-Não tente enrolar os fiscais do metrô falando outra língua; 
-Se algum húngaro fechar com a sua cara, diga que é brasileiro e que Puskas é tão bom quanto Pelé;

Aproveite toda a peculiaridade do país que encanta todos os seus visitantes e não esqueça a máquina fotográfica para registrar o rústico e interessante lugar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Afinando em húngaro (parte 1)

Série com as melhores músicas húngaras (ao meu gosto), começando com a banda "Quimby" e sua "Autó egy szerpentinen". 



Pacato cidadão

A diferença mais forte entre Brasil e Hungria é, sem dúvidas, a segurança.
Todos os dias se vê na TV húngara matérias sobre tudo (leia-se cultura inútil), menos violência.
Porém, algo que chocou os habitantes do país aconteceu há algumas semanas. Três meninas morreram dentro de uma boate. A suspeita é de assassinato ou de pisoteio - algo que causou desespero e revolta na população. O assunto é capa de todos os jornais e ocupa todos os minutos possíveis dos noticiários.
O fato é uma anormalidade tão grande para o país que, em respeito ao fato, escolas fecharam por algum tempo em Budapeste e as boates terão que formalizar um esquema de segurança se quiserem continuar funcionando.

Com grande tristeza e desapontamento, fui questionado por uma colega de classe à respeito do assunto. Ela queria saber se esse tipo de coisa também ocorre no Brasil.

No meu país, a maioria das pessoas sai de casa sem ter a certeza de que vão voltar. Lá, quando chacinas acontecem, levam no máximo cinco minutos no Jornal Nacional, devido à "normalidade" do fato (ou duram semanas na mídia quando há interesse no sensacionalismo).
No meu país, é bem mais importante se manifestar por um time de futebol ou por um capítulo de novela, do que protestar contra a falta de segurança pública alimentada pela corrupção do governo.
No meu país, as pessoas estão com medo até da polícia que, ao invés de proteger os habitantes do local, vem freqüentemente os fazendo de vítimas.

Pensei nisso tudo antes de responder a pergunta mas, como bom intercambista, respondi apenas o conveniente.
Lembrei que o Carnaval, as praias e festas escondem os defeitos da nossa nação e tapam os olhos da população, que prefere se entregar ao comodismo do que lutar por um país decente.

Talvez o fato do tamanho alarde criado em torno das três meninas seja pela carência da mídia em reportar algo trágico. Ou talvez a razão mais óbvia para isso venha dos húngaros, que não aceitam ser feridos em um de seus direitos mais básicos e fundamentais: a segurança.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Festas de fim de ano (parte 2)

Boldog Új Évet!


Nada de branco, sete ondas ou grandiosas explosões de fogos de artifício. Na Hungria, a vinda do novo ano é comemorada com uma festa simples, onde não é praticada nenhuma superstição, abraços ou desejos daqueles sentimentos esperados para o respectivo início do calendário.
A tradição da noite é cantar todas as músicas possíveis num karaokê e comer muita, mas muita lentilha (pois, ao que parece, a única coisa que os húngaros desejam no revéillon, é dinheiro).

A noite em que virei pingüim



Todos os anos as escolas da Hungria preparam um baile de fim de ano para as turmas que estão prestes a se formar. Fui convidado para um deles e resolvi compartilhar algumas fotos da noite que se resume em duas palavras: Happy Feet.


Festas de fim de ano (parte 1)

Boldog Karacsanyit!


E o meu tão esperado Natal no gelado Hemisfério Norte foi... sem neve!


O Natal húngaro dura oficialmente três dias. E nada de Papai Noel trazendo presentes. Quem dá conta do trabalho é o "Menino Jesus", que no dia 05 de dezembro deixa chocolates para as crianças que penduram uma meia na janela.
A árvore daqui é montada apenas no dia da ceia e é um pinheiro de verdade, retirado da natureza. Tradição que todos os anos mata milhares de árvores, que duram mais de cinco anos para chegar ao tamanho ideal e depois vão para o lixo. Sim, pro lixo.
E ah, diferentemente do Brasil, na noite da véspera de Natal todos vão para cama antes da meia-noite, exceto o brasileiro aqui. E a família do brasileiro...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Esztergom

Antes de falar sobre a minha visita à Esztergom, aqui vai um pouco sobre a cidade:



Esztergom é uma pequena cidade no norte da Hungria, cerca de 50 km a noroeste de Budapeste. Está localizada no condado de Komárom-Esztergom, na margem direita do Danúbio, rio que constitui, naquele trecho, a fronteira com a Eslováquia.
Foi a capital da Hungria do século X ao XIII, e ainda é a sede do primaz da Igreja Católica no país. Sua catedral, a Basílica de Esztergom, é a maior da Hungria.
A ponte Mária Valéria, sobre o Danúbio, leva à cidade de Štúrovo na Eslováquia e é um dos mais mais recentes acréscimos à paisagem do local. Originalmente construída em 1895, foi destruída pelas tropas alemãs em retirada, em 1944, e foi então reconstruída em 2001, com apoio da União Européia.

Depois de uma longa viagem se tratando de Hungria (3 horas de trem), cheguei à cidade pela noite num frio de -11ºC. Impossibilitado pelas óbvias condições climáticas de fazer algum passeio, esperei para fazer meu tour no dia seguinte. 
Comecei pela famosa Basílica (uma das maiores da Europa). A grandeza da construção é impressionante, faz qualquer outra construção erguida perto do local, insignificante. E o que já era bonito, fica ainda mais com a incrível vista da cidade daquele ponto. Coisa de filme! 
De filme mesmo. No outro dia, seguimos para o local onde há um mês foram gravadas cenas do novo filme de Angelina Jolie. O cenário: o grande Duna rodeado das tradicionais e antigas casinhas européias. O fato mais interessante era a bandeira da Sérvia erguida no lugar da bandeira húngara. Calma, tudo para o filme. O problema é que esqueceram de tirar!

Tudo muito bonito, mas daí vem a realidade nos lembrar que Esztergom não é bem o tipo de lugar para se passar cinco dias visitando. Quando as atrações acabaram, o jeito foi improvisar.
Fomos a um famoso banho termal húngaro (no caso, eslovaco, pois atravessamos a ponte). Sensação única: temperatura ao redor de -8ºC, sauna quente, mergulho numa banheira gelada e, logo após, o trunfo de nadar e relaxar numa piscina térmica ao ar livre, rodeada de neve. 
Nos últimos dias, rápidas caminhadas pela cidade e à noite uma escalada numa montanha (com direito a todos os equipamentos) para chegar ao ponto onde se pode ter a melhor e mais bonita vista da cidade. O cansaço, o frio e  algumas escorregadas na neve foram rapidamente esquecidos quando cheguei no topo. 

No fim de tudo estava cansado, morto, no fim da linha, porém saí dali com boas memórias do lugar mais velho e mais bonito da Hungria.