segunda-feira, 21 de março de 2011

Macacos, ensopados e outros "ados"...

 Durante um jantar em família...

-E aí, Tiago? Prove o meu ensopado. - Disse a avó.
-É que... eu não gosto de macaco.
-Macaco? Você não gosta de macaco? - Repetiu.
-Nem frito, nem assado e nem em ensopado. - Disse eu, na esperança de não precisar prender a respiração para comer algo novamente.
-No Brasil vocês comem isso? (Macaco)
-Sim, mas eu não gosto...
-Pobrezinhos... São os da Amazônia? - Perguntou a avó, com olhar de dúvida.
 A partir desse momento percebi que algo estava errado. Eu e a minha capacidade de trocar palavras "parecidas" por outras completamente diferentes me fizeram perceber que eu havia cometido mais um erro.
-Não, Tiago... Aqui na Hungria nós não comemos macaco. É ensopado de fígado!

Depois dessa, acabei comendo o "macaco" que me deram e me enrolando mais ainda para explicar que não, nós não comemos macacos, ou qualquer primata, na "Terra de Índios".

Ah, para esclarecer a confusão, "majom" e "máj" são parecidos, tá?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Papangus da Hungria

Não, não estou em Bezerros ou muito menos no Brasil. Sim, aqui tem carnaval, e em Mohács, a festa é comemorada em grande estilo. E cheia de papangus.

Mohacs Hungarian Winter Farewell Carnival

A mais famosa festa de carnaval húngara começa seis dias antes da Quarta-Feira de Cinzas. O "Busójárás" (sem tradução para outra língua), é um evento que dá as "boas-vindas" à primavera. Foi criado pelos "sokc", uma minoria étnica que vivia na região durante a ocupação turca no país.


Sokci fiddler

Para espantar os turcos, eles vestiam assustadoras máscaras feitas de salgueiro e pele de ovelha e faziam barulho com sinos e outros instrumentos. Os que praticavam o ritual, foram considerados os verdadeiros responsáveis pela expulsão dos turcos da Hungria. "Se espantamos os turcos, por que não espantar o inverno?". Deve ter sido essa a linha de pensamento que criou a tradição que atrai milhares de turistas até hoje. São organizadas marchas com dezenas de fantasiados com o intuito de mandar o inverno lá pro Brasil espantar a estação mais fria do ano.

                                buso portre


File:Buso masks.jpg

Tudo isso veio a se tornar uma famosa atração turística depois que a UNESCO reconheceu a manifestação como patrimônio cultural da humanidade. As diversas atividades culturais, exibições, concertos e perfórmaces de folk dance atraem mais de 20 000 visitantes todos os anos. É a Hungria mostrando que também tem um carnaval de peso...


...mas não tão animado quanto o do Brasil.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Afinando em húngaro (parte 2)

Uma música da mais famosa banda húngara atualmente:


#freeisaura

No período em que a Hungria era dominada pelo comunismo, o entretenimento e mídia eram altamente controlados pelo governo, que inspecionava cuidadosamente cada material que tinha a finalidade de ser transmitido pelo rádio ou TV.
Porém, diante dessa realidade, o país ganhou um "presente" vindo do nosso país. Presente esse que de certa forma mudou o cotidiano da população.


Há 35 anos, estreava no Brasil a novela "A Escrava Isaura", sucesso que foi exportado para vários países, inclusive à Hungria.
As aventuras e romances de Isaura e Leôncio tiveram papéis fundamentais na distração do povo húngaro, na época em que "entretenimento" era sinônimo de tédio e censura.
A série foi a primeira a ser transmitida no país, com o objetivo de "controlar as massas". E deu certo.

A hora da novela era sagrada. Não se trabalhava, não se saia de casa. As seqüências da trama viravam capa de jornais e assunto de conversa entre amigos.
O fanatismo era tão grande, que mesmo com toda a limitação financeira, foi feita uma "vaquinha" para trazer os personagens à Europa e enfim "libertar" Isaura.
Quando chegaram ao continente velho (especificamente na Hungria), os personagens eram esperados por filas que duravam dias, feitas por pessoas que tinham o único desejo de ganhar um aceno ou autógrafo dos ídolos. Há relatos de uma criança cega que passou dois dias na fila apenas para dar um "conselho" à escrava.

Depois de ser aprovada como experimento do governo húngaro, a trama seguiu para diversos países, criando histórias absurdas. Na Rússia, a palavra "fazenda" passou a integrar o vocabulário dos eslavos. Na Itália, Isaura tornou-se mártir de causas libertárias, com seu nome pichado em muros. Em Cuba, Fidel Castro mudou o horário de reuniões para não perder a novela. Na Bósnia, a guerra era interrompida durante a transmissão da série.

Hoje, o nosso país é conhecido pelo futebol, pelo samba, carnaval e praias. E, na Hungria, também pelo fenômeno que ajudou a iludir a população diante do autoritarismo do governo e inspirar os meios de mídias atuais.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Coisas da Hungria (parte 3)

A maior goleada de todas as Copas foi Hungria 10 X 1 El Salvador. O atacante húngaro László Kiss se tornou o primeiro reserva a marcar três gols em uma partida de Copa do Mundo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A m#*da é grande!

Quando se está aprendendo uma língua nova, micos são inevitáveis e quase sempre freqüentes.

Cometer o mesmo mico uma vez é humano, duas, perdoável, mas três tira qualquer brasileiro do sério.

Estava fazendo uma apresentação sobre o Brasil, quando me vem a cabeça falar um número relacionado ao assunto. Em húngaro, o correto seria "száz" (cem), mas minha boca teimou em falar "szar" (algo como m#*da). Foi assim até alguém me informar sobre o erro.
Corrigido, passei para o próximo tópico e outra palavra  me veio à cabeça. Agora, o correto seria "szer" (vez), mas... a "szar" já estava feita. Falei novamente e fui mais ainda alvo de risos.
Parece brincadeira, mas, quando a desventura começa, custa a terminar. Falei szar pela terceira vez e fiz história. História de uma das maiores m#*das já feitas naquele palco.

Não ficção

Esse é um vídeo feito por uma intarcambista australiana que deixou a Hungria em janeiro. Infelizmente, não é em português, mas retrata bem a vida dos "novos húngaros".